Realizei uma busca breve sobre este tópico para descobrir que em Portugal se reflecte pouco, ou nada, sobre este assunto vital. De qualquer forma ainda há alguns resistentes, sobretudo académicos, que ousam estudar e reflectir a importância do Mar e das suas Ciências para Portugal.
Neste capitulo encontrei um excelente resumo de 2003 de J. Alveirinho Dias que faz o enquadramento da importância da sua área cientifica, a Oceanografia, para o desenvolvimento do país. Das reflexões que apresenta ressalto uma com que me identifico sem reservas “... É imprescindível que os diferentes sectores da sociedade adquiram consciência de que o Homem é profundamente dependente, praticamente a todos os níveis, do oceano. ...”
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| Plataforma Deepwater Horizon explode a 20 Abril 2010 (Fonte: Channel4) |
De facto, o Oceano é um sistema de enorme complexidade que gera no seu seio equilíbrios frágeis mas no entanto decisivos para assegurar a vida como hoje a conhecemos. Nesse capitulo importa recordar as recomendações do relatório “O Oceano....Nosso Futuro” (CMIO1998) que no seu capitulo 4º refere “...a utilização económica e ecologicamente sustentável dos recursos oceânicos implica muito mais do que a melhoria da gestão em sectores individuais, como o das pescas, do transporte marítimo e da extracção off-shore de petróleo, gás e outros minerais. Diz igualmente respeito ao reconhecimento da forma como as actividades realizadas em terra afectam o oceano. O enorme crescimento da actividade económica e o estabelecimento de cada vez mais pessoas nas zonas costeiras estão a ameaçar o valor ecológico dos oceanos .... ”.
Também nesse relatório se relembra que “ ...As palavras "economia" e "ecologia" têm origem na palavra grega oikos, que significa "lar comum" (...). Tem como principal objectivo salientar as interfaces entre economia e ecologia e explora o valor dos serviços mercantilizados e dos serviços esquecidos, não mercantilizados, prestados pelos oceanos , com vista a aumentar a consciência sobre o seu verdadeiro contributo para o bem-estar individual e colectivo...”
No entanto, é hoje bem visível, que o homem ainda não conseguiu harmonizar ambas as palavras nas actividades que desenvolve no Oceano e na sua orla costeira. É um facto indesmentivel que hoje as actividades da Economia penalizam a Ecologia dos Oceanos, mas também é evidente que por influencia dos Media e da sua globalização hoje essa harmonização está mais do que nunca a ser exigida pelos cidadãos e devido a essa pressão pelos estados. Após os acidentes do Exxon Valdez no Alasca e agora da BP Deep Water Horizon no Golfo do Mexico fica claro para a Economia que tem de se alinhar com a Ecologia sobre pena de sucumbir as pesadíssimas (20 biliões de US$) consequências económicas dos desastres ambientais.
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| Barcaça/pontão gigante rebocado para armazenar águas contaminadas da Central Nuclear de Fukushima Daiichi (Fonte: CBC) |
No entanto, esta acção correctiva é ainda só restrita às actividades cujas consequências são facilmente visíveis e/ou mediatizáveis (Energia: Petróleo (extracção nos fundos e transporte) e agora a Fissão Nuclear (fonte de arrefecimento do ciclo térmico)) e tendem a diluir-se nas restantes actividades marítimas (Transporte Marítimo, Pescas, Aquacultura, Extracção de Inertes e de Minerais,...) e costeiras/fluviais (Construção, Resíduos Sólidos, Águas residuais domesticas e industriais, Turismo, Agricultura intensiva, ....).
E no Mar da Lusitânia como estamos? Será que o equilíbrio existe nas actividades que actualmente ai decorrem? Qual são hoje as principais ameaças a que o nosso mar está sujeito? E quais são as nossas reais capacidades de desenvolver novas actividades económicas ecológicas nesse espaço?
Essas são mais algumas das questões que considero fundamental debater e procurar dar resposta assertiva neste exercício prospectivo ao Mar Lusitano.
Alexandre Guedes da Silva
Engenheiro Naval





